CONTEÚDO EXCLUSIVO – “ANTENADOS” COM O MERCADO

Para aqueles que investem no ponto mais alto das emissoras – os fabricantes de torres e antenas – os negócios também andam nas nuvens. Isto porque o mercado de rádio continua aquecido. Segundo dados oficiais da ABERT, o número de estações comerciais em FM cresceu 36% nos últimos cinco anos, atingindo a marca de 2.602 no final de 2010.

A previsão do Ministério das Comunicações é de que até quatro mil estações comunitárias entrem no ar nos próximo três anos. Consultores ouvidos pela Radioenegocios.com apontam que 90% desses valores correspondem às FM situadas fora das capitais.

Como reflexo dessa tendência, em 2010 os produtores de sistemas irradiantes registraram aumento na ordem de 30% no comparativo com 2009, ao passo que a indústria de torres metálicas manteve o ritmo dos anos anteriores, quando cresceram 10% em média.

Quando o assunto é antena, a maior parte do mercado corre atrás da ‘polarização circular’, sendo indispensável para quem opera em média e alta potência. Os fabricantes que atenderam a reportagem apontam que oito em cada dez emissoras solicitam essa tecnologia. E para suportar o equipamento, as torres solicitadas são as autoportantes e estaiadas. Vale lembrar que para o AM, a própria torre exerce a função irradiante de antena.

Mas quem disse que é fácil colocar uma rádio no ar? Para se montar uma emissora, os radiodifusores devem ficar de olho em algumas normas. A resolução da Anatel nº 303, por exemplo, estabelece os limites de irradiações que podem ser emitidos por cada estação. Já o código de postura municipal contém as regras de ocupação do espaço. Especialistas recomendam que em áreas densamente habitadas, como as capitais, a antena fique numa altura de 80 metros, enquanto a torre fique afastada em 15 metros de construções vizinhas. Como se não bastasse, em cada região também existem as determinações do Ministério da Aeronáutica, para se instalar torres sem comprometer o plano de proteção ao vôo nos aeródromos.

Na estrada da radiodifusão há mais de 30 anos, o consultor José Eduardo Cappia se especializou em montar estações de comunicação. Há vinte anos ele abriu negócio próprio em São Paulo, a EMC Projetos, que presta consultoria para todo o país. Do volume de solicitações que recebe anualmente, Cappia observa que há maior demanda por parte das estações de rádio FM do que das TVs. “Isso sem mencionar as comunitárias que ‘vêem na esteira’. A intenção é zerá-las até o final do ano”, prevê o consultor.

Ele explica a principal característica das antenas circulares. “Por transmitirem o sinal ‘girando’, elas conseguem contornar obstáculos em locais onde há muitas edificações”. Como conseqüência, sua demanda se concentra em veículos situados em centros urbanos.

Já o engenheiro Esdras Miranda é referência da radiodifusão nordestina. Ele coordena todo projeto técnico da Rede Jangadeiro, em Fortaleza, que possui uma emissora de TV além de duas rádios. Em breve, quatro novas estações da rede vão operar no interior cearense.

Miranda atribui parte de sua experiência ao diálogo constante com os fabricantes. O engenheiro informa que “as antenas verticais, são menos procuradas e são mais adequadas para as comunitárias”.

Com tom professoral, ele recomenda às estações que estão surgindo no interior do país – e que possuem terreno “de sobra” – a instalação de torres estaiadas, porque chegam a custar dois terços menos do que as autoportantes. “Por questões de transmissão, são as únicas que atendem o AM. Além disso, eu consigo instalar uma estaiada de 50 metros em dois dias, pois ela vem em módulos de três metros. Mas nas grandes cidades, onde o espaço é limitado, isso se torna inviável”, compara.

Já Cappia, acrescenta que no momento em que se vai erguer a torre, o tamanho ideal definido no projeto está relacionado com a chamada ‘altura efetiva’. “Para calcularmos isso, colhemos a média geral das altitudes de três a quinze quilômetros, contados a partir do local onde será instalada a antena”, detalha. As torres de FM autoportantes não podem ficar muito próximas ao solo, pois geram reflexão do sinal. “Eu tenho montado estruturas acima de 70 metros. Tem sido melhor.” Já quando se fala em AM, a altura mínima da torre é 50 metros.

Alta Potência

Ser dono do próprio negócio era um sonho que o engenheiro Mario Evaristo Vilela alimentava desde a infância. Em Pouso Alegre, o segundo município mais populoso do Sul de Minas Gerais, ele desenvolvia afinidade e experiência com telecomunicações. Também percebia que o Brasil precisava de muitas antenas.

Em 1988 Vilela chegou onde queria. Fundou a Ideal – Antenas Profissionais, que iniciava com vendas tanto no mercado interno como externo. Oferecendo sistemas residenciais para TV, a empresa atendia o sudeste, além de clientes na América Latina e nações da Europa, como Finlândia e Filipinas. Mas foi quatro anos após a fundação que o empresário engatou atividades no meio rádio, segmento em que conquistou cerca de 1800 emissoras como clientes.

Recentemente a empresa fechou contrato com a norte-americana Shively Labs, referência mundial em antenas FM de Alta Potência. Com a negociação, a Ideal passa a dar suporte às vendas da multinacional no Mercosul, em troca da vanguarda tecnológica que recebe da ianque.

Com a parceria, o diretor comercial Marcelo Zamot, que trabalha há seis anos na empresa, projeta um crescimento acima de 25% em 2011. “Potência é sinônimo de lucro. Se trocarmos dois mil por 20 mil watts, por exemplo, significa agregar valor ao produto final”, explica Zamot.

No primeiro trimestre desse ano a empresa apresentou um crescimento na ordem de 15% na comparação com o mesmo período. “Acredito que tenha sido a crescente liberação de outorgas da Anatel”, justifica o diretor. E brinca: “O conceito da Ideal se valorizou muito na radiodifusão. Para você ter uma idéia, há clientes que deixaram de ligar para nós, pensando que nossos produtos estão caros”.

Na avaliação de Zamot, a empresa ganhou visibilidade por desenvolver um sistema padrão para todas as topografias. “Nosso modelo dipolo FM foi muito bem aceito no meio por isso”, conclui

Provada em campo

No final dos anos 1960 o engenheiro Luis Conti deu seus primeiros passos na vida de empreendedor. Atento às emissoras de TV da região de Valinhos, interior paulista, ele fundou a Transtel, que inicialmente produzia transmissores de baixa potência em UHF. O bom desempenho dos produtos foi reconhecido pela Rede Globo, que em 1984 contratou não somente ele, como toda sua equipe de fabricação.

Com o apoio da emissora, Conti passou a investir em acessórios, conectores, cabos coaxiais e principalmente antenas televisivas. Otimista com os resultados, em pouco tempo ele diversificou obusiness para o setor FM. O gerente de marketing José Elias afirma que há 40 anos as antenas de ponta eram importadas, pois a produção nacional carecia desses equipamentos. “Enxergamos aí uma grande oportunidade. A antena é o ponto mais crítico da estação. Sem um dispositivo irradiante de qualidade, o sinal não chega conforme previsto em projeto.”

Para assegurar a eficiência do diagrama de irradiação – estudo que mostra a área potencial onde o sinal da antena deve cobrir – a Transtel instalou, há quatro anos, um campo de provas em Monte Mor, cidade vizinha à Campinas. “Para se avaliar a qualidade da transmissão era necessário um terreno amplo e isento de interferências eletromagnéticas. Se houvesse muitas estações por perto, comprometeria a fidelidade do teste. Ali, montamos torres e antenas, para simular operação real em campo”, detalha Elias. “Se o aparelho estiver de acordo com especificações do projeto, entregamos para o cliente. Do contrário, reconstruímos a antena”, conclui.

Para rádio, os equipamentos mais procurados da Transtel são antenas com anéis circulares em FM. “A montagem é mais simples, possui baixa resistência ao vento, o que melhora o desempenho”, enumera o gerente. E acrescenta: “As circulares são mais indicada porque elas não necessitam de outra antena para receber sinal. É uma segurança para a transmissão”.

No primeiro trimestre do ano, a empresa mantém o retrospecto de vendas. O que tem impulsionado os negócios, em adição às antenas, são os acessórios para este equipamento, juntos os produtos correspondem a 35% do faturamento da Transtel.

Reconhecimento

Em um momento de descontração, no setor técnico da Rede Bandeirantes, em São Paulo, o espanhol “Manolo” – como era conhecido – apelidou carinhosamente o companheiro de profissão, José Eurípedes Batista, como José “Barriga”. E a alcunha pegou.

Mal sabia Manolo que após 36 anos José “Barriga” se tornaria um dos profissionais mais respeitados entre os antenistas de comunicação.  Atual diretor-executivo da Teel, empresa com mais de vinte anos de mercado, Batista conta que começou a fabricar antenas em 1974, com a disseminação da Frequência Modulada no Brasil. Na ocasião, segundo ele, era proibido importar esses equipamentos. “Comecei produzindo as primeiras antenas para a Bandeirantes FM 96,1, Antena 1 e a Educadora, de Campinas. Pouco depois fui à Bahia, onde montei a primeira FM de Salvador, do grupo Diários Associados”, relembra o diretor, que escolheu investir nesse segmento por “encontrar menos concorrência”.

Com cerca de 3000 antenas no ar, a Teel atua predominantemente no Rio Grande do Sul, além das regiões Nordeste e Sudeste. “Os gaúchos são bairristas, mas se você consegue conquistar a confiança deles, tornam-se clientes fiéis”, argumenta Batista, ao tentar justificar a presença exclusiva da Teel no estado. E complementa: “O problema não é a venda, e sim a pós-venda. É preciso estar presente sempre quando o cliente reclamar”.

Ele orienta a instalação de um “tubulão” para acomodar as antenas na torre, nas emissoras que utilizam estruturas autoportantes, “para não deformar o diagrama de irradiação”, ressalta.

No balanço da empresa, 40% dos clientes solicitam antenas verticais. O diretor alega que o sistema de irradiação, aprovado pela Anatel, prioriza os modelos circulares. “Porque elas possuem o dobro de ganho em potência ao ser combinado com o transmissor”, explica.

No primeiro trimestre de 2011 a Teel aumentou em 60% o volume de vendas, na comparação com o mesmo período da temporada passada. Para Batista, 2010 se tornou positivo em sua segunda metade, com o fim das eleições. “Falava-se muito em cassação de outorga, o que gerou um clima de desconfiança. Mas agora o mercado está movimentado”, finaliza.

De olho nas oportunidades

Com dois parques industriais instalados em Osasco e Caucaia do Alto, na Grande São Paulo, a Mectrônica entrou no cenário radiodifusor há trinta anos, fabricando mesas de estúdio para rádio. De olho em novas oportunidades, o engenheiro Manuel Bernardo Costa comprou a empresa em 1987.  Com o tempo, o carro-chefe da Mectrônica se tornou as antenas de rádio e televisão, segmento que atende a demanda nacional, além da América Latina e África. Ao todo, são quase 15 mil equipamentos instalados nos três mercados.

Na visão do gerente comercial, Francisco Costa, a transição do escopo produtivo ocorreu pela ausência de fornecedores nacionais em antenas. “Percebemos que era um nicho que havia poucas empresas brasileiras. Hoje temos muita renda a partir do rádio, porque não para de surgir emissoras”, justifica Costa, sem revelar valores. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste estão na mira da empresa. “Nessas praças temos observado que saem mais licenças para rádio e TV digital”, argumenta o gerente.

A Mectrônica fechou 2010 com um aumento de 30% no segmento rádio. A previsão de Costa é de que a empresa repita o desempenho em 2011. A exceção, segundo ele pode ocorrer “se o governo ‘pisar’ no freio. Especula-se que ele poderia restringir o financiamento para altas vendas, por BNDES e leasing”, revela.

Segurança e agilidade

No coração da capital goiana se encontra a Forts Engenharia, metalúrgica que se especializou em fabricar torres galvanizadas para rádio e televisão. A experiência anterior com a também metalúrgica Cristel deu ao engenheiro e fundador, Cléver Resende, o portfólio necessário para atender o mercado nacional.

Com 22 anos de história, a Forts conseguiu impulsionar os negócios para estações FM quando contratou o engenheiro José Augusto Camilo, em 2003. A partir de então, a empresa passou a assinar um volume maior de licitações em construções para rádio.

Dos 1100 clientes, cerca de 600 são representados por AM e FM. Na visão de José Augusto, diretor técnico da metalúrgica, o diferencial para crescer nesse setor é “agilizar” o processo de instalação. “O cliente faz as bases de concreto e nós oferecemos todo o projeto. Em uma semana iniciamos a montagem. Em duas, a torre está pronta para receber antenas, e já pode transmitir”, explica Camilo.

Para ele, as estaiadas são as mais vendidas no mercado em função do custo. Mas a Forts tem vendido autoportantes de formato triangular. “Elas mantém o mesmo suporte para as antenas, e a geometria da base não interfere na transmissão, e sim no preço”. Pela quantidade de material utilizado, as torres quadradas são mais caras. No entanto, o diretor aconselha: “em todo projeto que ultrapasse 80 metros precisamos delas, pois é natural ocorrer pequenas oscilações acima dessa altura”.

Focada no eixo Minas-São Paulo, além do Nordeste, a empresa estima crescer pelo menos 10% em 2011. Valor bastante próximo do último fechamento anual, quando aumentou em 12%.

O caminho até a torre

Maior produtora de goiaba do país, a região de Taquaritinga, no interior paulista, tem papel fundamental nos agronegócios. Alinhada com a força econômica da cidade, a Graciella deu inicio a suas atividades em 1973, sob as mãos do empresário Vanderlei Marsico, que começou a investir em carretas agrícolas, silos para laranjas e reservatórios de água.

O contato com estruturas metálicas abriu o leque da empresa. Com o tempo, ela incluiu torres de comunicação em sua linha produtiva, abrangendo as emissoras de rádio, TV, consórcios de telefonia e provedores de internet. Entre os modelos mais requisitados da Graciella estão as autoportantes para FM de base quadrada. “Ela ocupa uma área menor do terreno e é mais segura”, avalia Marsico.

O empresário compara que a demanda por torres segue estável em relação a 2010, quando cresceu acima de 10%. “Adquirimos um equipamento novo para fabricação de torres, chamado CNC, que agrega maior velocidade e diminui os custos para parafuzação da estrutura”, ressalta.

Pedágio e AM

Ao contrário da Forts e da Graciella, a paranaense Towertec aposta no AM com seus modelos estaiados. Ex-funcionários da Adaxa, indústria que atua no setor de telecomunicações, os empresários Valdecir Aparecido da Silva e José Haroudo do Vale, com mais de duas décadas em telecomunicações, encontraram espaço para coordenar suas próprias construções.

Voltada em sua maior parte para as concessionárias de pedágio, como a Ecovias e CCR, além de telecomunicações, a Towertec também atende em menor grau as emissoras. Dos planos de investimentos da empresa, rádio a corresponde a 7% do faturamento, o que, segundo Haroudo, não significa que a empresa deixou de olhar para a radiodifusão. Segundo o gerente, a Towertec projeta crescer em 30% na área. “Queremos fortalecer nossa presença no sul e sudeste”.

Fonte: Rádio e Negócios

 
 

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